Portugal, o país dos recordes


Há alguns dias, estava eu entretido com a televisão, canal para a frente e para trás, quando algo improvável me chamou a atenção: um rapazito qualquer estranhamente havia decidido pregar molas da roupa por toda a cara, e só parou quando não sobrou um cm de pele à vista. Pensei logo (a seguir a ter pensado que era um perfeito atrasado mental) que se tratava de um anúncio a um detergente qualquer, provando que o mesmo não vincava a roupa quando estendida, mas que por algum motivo que desconhecia em vez de usarem uma toalha de mesa rendada ou um lencinho dos namorados de Viana do Castelo, tinham decidido usar a fronha do rapaz como demonstração. Também me passou pela cabeça poder tratar-se de um novo método de limpeza de pele, mais agressivo e de forma a livrar o rapaz da borbulhagem abundante que tinha na face, mas não.
Após alguns minutos apercebi-me que se tratava de um programa dedicado aos recordes mundiais do Guinness. Mas agora numa versão portuguesa e traduzida por alguns dos comunicadores mais "inteligentes" que tenho visto em TV nestes últimos tempos (eles próprios deviam ser recordistas de alguma coisa).
Não fazendo alusões acerca da vida privada do rapaz das molas, mesmo achando que ele devia começar por ler uns livros, estudar ou ir ao cinema ou simplesmente tentar encontrar uma namorada que o afaste do estendal lá de casa com a maior urgência (temo mesmo que as molas não se fiquem pela cara), tudo isto fez-me pensar que Portugal, até nesta matéria de recordes, está na vanguarda da EU.
Podemos não ter homens portugueses a conseguirem engolir duas jarras de vidro da vista alegre acompanhadas de um galão directo, ou outros que partam tijolos, blocos de cimento, árvores centenárias ou edifícios inteiros do bairro do Aleixo com a cabeça enquanto comem um Menú Macbacon. Também não temos ao que sei portugueses que arrastem aviões presos pelos bigodes e façam o trajecto todo do nº 3 que vai desde a zona da Portagem até à Praça da República com o autocarro agarrado às cuecas enquanto cantam músicas do André Sardet.
Mas temos muita coisa acreditem...
Temos desde logo a mulher mais barbuda do mundo, vive em Pinhel e é alimentada por uma sonda, a prima tem duas carpetes debaixo dos braços na zona das axilas, as miúdas fazem-lhe penteados como se fossem cabeleiras das Barbies. Temos o homem que mais sopa da pedra consegue comer , 5 litros de uma só vez ( não estou a falar do arrumador que costuma estar à porta do Pingo doce de Celas, esse come sopa da pedra mas não leva a colher à boca, só serve para fazer o caldo).
O artista que consegue percorrer o maior nº de quilómetros numa Famel com um SG gigante no canto da boca depois de ter bebido cinco litros de Adegueiro também é um português, junta-se-lhe o recorde de pessoa (leia-se bêbado) apanhada com maior quantidade de álcool no sangue : 5,3 g/l. O próprio disse ao agente da GNR que o deteve : “ eu até tinha bebido pouco sr. agente mas atravessou-se-me um gato grande, que até parecia um bode, mas afinal era um burro, depois guinei em direcção a uma árvore e não vi o muro”.
O homem com mais quilómetros percorridos em faixa contraria numa Auto-estrada é de Abrantes, tem 84 anos e foi até Castelo Branco sempre do lado de lá, chegou à portagem com uma romaria de carros da BT atrás, disse " eu bem via umas luzes esquisitas mas esqueci-me do aparelho dos ouvidos em casa da minha aninhas por isso estava completamente surdo"
O político que mais tempo consegue estar na Assembleia da República sem fazer qualquer intervenção também é um português, ficou em 1º lugar à frente de outros 16 deputados portugueses.
O homem que mais depressa bebe um fino enquanto tira a cera do ouvido com o dedo mindinho esquerdo reside em Setúbal , tem 35 anos, é pintor da construção civil e chamam-lhe "Periquito doido", demora 1 segundo contado pelo relógio de parede da tasca do Alexandrino que marca 22:40 desde Março de 1979.
O homem que mais tempo esteve em prisão preventiva é também um português.
Assim como o homem que mais tempo seguido conseguiu ouvir o CD do Paulo Gonzo sem ter um AVC, chegou à faixa 3, depois começou a babar-se e perdeu os sentidos.
A dona Gracinda de Arcozelo é a senhora que mais tempo seguido consegue estar a ver novelas da TVI, com o magnifico recorde de 12 dias e 4 horas só com intervalo para comer sandes de paio, fazer chichi no seu penico de metal e regar umas plantas "muito jeitosas que o meu sobrinho Pedrito trouxe da Holanda".

A professora que dá aulas a alunos do Ensino profissional que mais tempo consegue estar numa sala de aulas sem dizer um palavrão é do Cartaxo, com o recorde difícil de ultrapassar de 2 minutos.
O Sr. Ramiro de Vale Gemil conseguiu estar 10 segundos a ouvir o Primeiro Ministro José Sócrates a falar sobre a crise sem se começar a rir, fabuloso este Ramiro sem dúvida, depois riu tanto que fez chichi nas calças e caiu-lhe a placa para o prato de pica-pau.
Temos o homem que mais hectares de floresta conseguiu fazer arder de uma só vez, foi o Chico Zé “braseiro” e este recorde mantém-se intacto desde 2002. Chico Zé está agora reabilitado e trabalha numa fábrica de pirotecnia de Fafe cuja oficina ardeu misteriosamente no passado Agosto.
O recorde de quilómetros percorridos em autocarros escolares vai para o senhor do casaco vermelho, sim o “nosso” Bibi, salvo seja (com 35.000 km de pura felicidade ao volante)
O maior "arrotador" é do entroncamento (ou não fosse terra de fenómenos) e tem um tio que é detentor do "pior hálito do mundo" ditado num concurso que envolveu tanto humanos como todo o tipo de animais.
O homem que mais tempo manteve um palito na boca é do Sabugal, conseguiu mantê-lo 11 meses sem qualquer paragem. E tenta agora bater o recorde de tempo passado com o lápis atrás da orelha, já vai em 4 meses e meio.
Gisela, concorrente desse brilhante programa de nome Masterplan tem o recorde relativo ao uso da bonita expressão "caralh…" em TV (13456 vezes) e o recorde de mulher mais “sopeira” de sempre atribuído pela revista “Parola”.
O Sr. Vítor Constâncio de Lisboa aparece nesta lista com mais dois recordes para Portugal, como “homem mais distraído do mundo” e ainda como “homem distraído mais bem pago do mundo” (ganha 250.000€ anuais mas não consegue ver um buraco de 1250 mil milhões, mesmo com aqueles óculos...). Grande Vítor é assim mesmo!
Passamos agora ao homem que há mais tempo exerce funções governativas (eleito democraticamente), é um português da Madeira chamado Alberto, adora viajar, chamar comunistas ao continentais, deliora com charutos e Carnavais (desde que dê para andar a desfilar de cuecas).
Manuel alegre aparece com o recorde de “homem mais indeciso do mundo”.
Paulo Portas tem o recorde de “político com mais tempo passado em feiras, mercados, zonas rurais e afins”.
Jorge Sampaio tem o recorde de “pior dançarino do mundo” e Cavaco silva com esta piada recente relativa ao Eurojust aquando da sua visita à Turquia ganhou de imediato o galardão atribuído ao “político com menos piada em todo o mundo”, a juntar-se ao recorde de “pior comedor de bolo-rei mundial” que já detinha.
Temos ainda um recordista de tempo de espera em urgência de hospital público (6 dias e meio) e ainda o de maior tempo de espera para realização de uma operação em hospital público (que Deus o tenha em descanso o Sr. Faria, e Deus até já o tinha com ele há 5 anos quando o finalmente chamaram para ser operado).
Noutra variante temos o Sr. Campos, que é recordista no que toca a dizer as palavras "Fod…" e "Filh… da Put…" durante uma partida de futebol, com 11453 vezes. Parabéns Sr. Campos.
A dona Cândida, que tem uma banca de peixe no mercado do bolhão, é a detentora do recorde do “lançamento do escarro” com 18 metros e meio. Vazou um olho à Clarita das flores. Parabéns para ela também, excelente performance sem dúvida.
Vale e Azevedo está nomeado para os galardões de "homem mais criativo do mundo" e "maior vigarista de todos os tempos", sendo que qualquer um dos dois lhe assenta bem.
Para finalizar, e mais recentemente, um recorde para um Português em destaque hoje em dia, Vital Moreira é nem mais nem menos que "o Professor Universitário em exercicio que a nível mundial passa menos tempo numa sala de aulas da Faculdade".

Como se vê somos um povo muito dado a recordes.
E o mais engraçado disto tudo é que a grande maioria das vezes conseguimos batê-los sem sequer darmos por isso.

“Lopes da Moita” quis pressionar o Cajó

O Lopes é um agarradinho da zona da Moita. Diz-se entre a populaça ter usado o nome de outros dois agarradinhos mais poderosos na hierarquia social da “agarradice”, um deles além de toxicodependente também um conhecido chuleco daquela zona (o “Maravilhas”), isto de forma a tentar fazer desistir o Cajó, filho da “Marquita peluda das pevides”, da sua intenção de contar ao senhor Vítor das bombas da BP que a prima dele, a “Marlene sobe e desce”, anda por aí a ser uma grande prostituta de vez em quando, todas as noites.

O Lopes foge agora rua acima, mas debilitado pelo consumo excessivo de cavalo acaba por tropeçar e cair nas escadas e é finalmente agarrado pelo “Zé Maluco”, perigoso irmão do “Berlindes", que o perseguia desde que o avistara a roubar a carteira a “Xiquita cega” à porta da Acapo.

- É verdade que “andastes” a meter miúfa ao Cajó com recados do “Maravilhas” e do “Moedas” para ele desistir de contar ao vitinho que a “Sobe e desce” é uma pega ordinária? Gritou-lhe o Maluco.
- Não, nunca!
- Mas não lhe foste dizer que o "Maravilhas" andava de olho nele e que se ele não esquecia o assunto ia cair das escadas e partir os óculos de massa?
- Não juro que não..
-És um drogadito mentiroso, e não jures que ainda te cai o único dente que te resta.
Estás sempre a encobrir o “Maravilhas”, e nós sabemos bem que ele se anda a aproveitar da Marlene e a meteu na “vida” para poder comprar aquele jipe vermelho que está à venda no Stand do "Roberto pachachas".
-Mas não disse nada…
- Mas tu queres de parar de mentir! Já toda a gente sabe, o Cajó chibou-se e agora tu estás metido num molho de brócolos…
Se desapareces da Moita meu agarrado toda a gente fica a pensar que tu és um cobardolas e tens cagufa do Vitor das bombas.
Se ficas és um pau-mandado, um agarrado ao lugar, e que não passas de mais umas das meninas do “Maravilhas”. De uma maneira ou de outra não passas de um bandalho, não vales um balde de caganitas de cabra, e és um aldrabão. Da fama já não te livras aqui na Moita.
- Então o que faço, vá lá man ajuda o Lopes, eu quero ficar aqui na Moita meu…
-Eu não te devia ajudar, para já porque cheiras mal da boca e pareces um cavalo…
Mas como eu até gosto de cavalos desde que trabalhei na Golegã a apanhar estrume vou-te dizer o que vais fazer…
É pá obrigado…
-Cala-te mas é e não abras a boca, parece que tens ai um bicho morto…
Vais deixar-te ficar, finges que não se passou nada, continuas a consumir o teu cavalito como se nada fosse e a roubar as velhotas que saem da Acapo. Vais ver que daqui a uns dias já ninguém se lembra desta história maluca da pressão que fizeste ao Cajó. e eu vou falar com ele e dizer-lhe que se ele se portar bem a "gente" convence a mãe dele a deixá-lo ser sócio do Benfica.
Agora passa para cá a carteira da Xiquita que ela está na paragem à espera do autocarro e nem sequer sabe que não tem o passe…

Walter e não Walt


O circo é, pelo menos para alguns, o maior espectáculo do mundo. Mas como não poderia deixar de ser, os portugueses até neste espectáculo deixam a sua marca, introduzindo novas tendências e “criando moda” à sua maneira.
E um bom exemplo disto é Walter Dias e o seu circo itinerante (como aliás se pode constatar na imagem aqui mais ao lado, junto ao Fórum Coimbra).
Diga-se que Walt Disney devia ter tido vergonha das décadas que andou a fazer copy-paste desta mega marca que o Sr. Walter Dias criou com tanta originalidade, devoção e empenho.
Andam os portugueses a criar logótipos e grafismos de qualidade sustentados em anos e anos de investigação e dedicação, reconhecidos e elogiados mundialmente , para vir um “palhação” qualquer (salvo seja) dos "States" e roubar indecentemente tudo o que o Sr. Walter andou a criar anos a fio graças à sua genialidade. Não há direito.
Reparem na qualidade daquele design gráfico, a perfeição que caracteriza a imagem gravada naquele TIR de 18 rodados, o que será aquilo? Que raio de figura é aquela? Será o Melão dos "Excesso"? será um palhaço? será um ET? Será o próprio Sr. Walter depois de acordar com uma conjuntivite?

Anda um homem a montar um espectáculo e a ganhar credibilidade à custa do seu sangue suor e lágrimas, e no outro lado do Atlântico um senhor qualquer que ninguém conhece, e só porque tem um nome parecido, aproveita-se da criatividade do nosso Walter.
E mais, o Sr. Disney deve-se ter farto de ganhar bom dinheiro à custa do Sr. Dias. Maldito! Bandido!

Procurei saber mais:

“Este circo surgiu em 1984 por Walter Dias, depois deste ter integrado companhias internacionais como palhaço (família Oporto), trapezista, equilibrista e mais tarde, domador de feras. Seguiu as pisadas da mãe Raquel Dias (exímia equilibrista e ginasta em quadrante). O pai, Júlio Silva (musico e actor) conheceu a mãe quando participava da orquestra de um circo: foi amor à primeira vista!”

Bem, vou-me abster de comentar o texto, acho que fala por si…

Fica a ideia de que Walter nasceu do amor, o que me parece bem, e o que ajuda a explicar todo o sucesso que teve e continua a ter em muitas rotundas junto a alguns centros comerciais do país, fazendo fervilhar de inveja algumas mentes menos geniais e por isso incapazes de produzir matéria artística genuína e de qualidade, limitando-se a copiá-la, para mal dos pecados de mentes brilhantes como a do Sr. Dias, e para proveito próprio desta cambada de pobres de espirito.

Mesmo detestando este espectáculo que considero primitivo, e de não achar piada particularmente ao facto de estar parado num semáforo e ter um lama a comer relva mesmo ao meu lado, ou ainda de ver um camelo e uma zebra a passearem e fazerem o seu cocó felizes numa rotunda em plena hora de ponta citadina, ou ainda de estar a tomar um café descansado e ter um palhaço ao meu lado a chatear-me a cabeça o tempo todo com aqueles balões ridiculos que se transformam em espada ou em coração e fazem aquele barulho irritante que nos arrepia, tenho de o dizer:

OBRIGADO WALTER!

Hercule Poirot e o caso Maddie


Até hoje ninguém foi capaz de perceber muito bem o que se passou com a pequena maddie.
Um puzzle com muitas peças e que por mais tentativas que se façam parecem nunca encaixar. O mistério continua a assombrar a outrora pacata Praia da Luz como Manuel Pinho nos assombra com as suas previsões para a Economia.
Mas de Maddie nem sinal.
Ninguém sabe se fugiu com o namorado italiano de 4 anitos com quem costumava brincar junto à barraca dos gelados, se decidiu suicidar-se e esconder o corpo ou se foi levada pelo "Fernando cabeludo" que foi banheiro na Praia da Rocha e gostava de passar as tardes a ver os meninos a brincarem na areia enquanto fazia estranhos barulhos com a boca e comia caracóis. Fernando este que entretanto também se encontra desaparecido, Graças a Deus. Ou ainda se pura e simplesmente quis ver até que ponto quer policias quer justiça portuguesa são de tal forma incompetentes que dois anos depois ainda andemos a falar neste assunto que deveria estar encerrado, ou enterrado.
Em qualquer uma destas hipóteses Maddie ou qualquer outra pessoa sabiam, ou pelo menos suspeitavam, que nada se viria algum dia a descobrir. Caso contrário nada se teria efectivamente passado. O que quer que tenha acontecido naquela noite foi feito de forma a permanecer tão invisível e insignificantemente como a presença de alguns deputados na AR.
Um senhor assim para o gordinho, de nome Gonçalo, parece que andou por lá a investigar enquanto ainda era pago por todos nós. Parece também que o local do crime ficou de tal forma contaminado naquele dia que qualquer prova a extrair daquele contexto dantesco seria tão fidedigna como o programa eleitoral do PS nas últimas legislativas.
Não se sabe ao certo o que se passou, mas provavelmente Gonçalo e os colegas por lá andaram a comer arrufadas, guardanapos e mil-folhas enquanto esperavam que a policia cientifica aparecesse (CSI cá do burgo).
O CSI tuga achou que a sala de estar e local do suposto crime estava uma baderna tal que parecia ter sido palco de um comício do Avelino Ferreira Torres. Ainda que o maior crime até então cometido tivesse sido o de colocar aqueles quadros com barquinhos pendurados nas paredes. Por tudo isto o único vestígio de sangue que por ali poderia ser encontrado seria do Pedrito dos carros de choque, que havia trincado a língua com o palito que o costuma acompanhar depois de ter sido pisado pela Telma “Balofa” do algodão doce enquanto dançavam um slow agarradinhos. A sala-de-estar era agora uma pista de dança. A música era “Tu já não és tu” do Toy:
“Tu, já não és tu, o teu olhar mudou, o mar secou e o sol escondeu-se atrás de ti; ”Tu, ja não és tu, ja não sorrís pra mim, não era assim, esse brilho no olhar quando chegavas, a ternura e o calor quando beijavas, estás diferente, tu já não és tu...”
Casaram um mês depois e já nasceu o pequeno Marco. Nasceu com mais cabelo que a Tina Turner e com umas unhas capazes de fazer inveja a uma águia em dia de baptizado na aldeia.
Gonçalo, agora ex-policia e ainda anafado mas já não pago por todos nós, tornou-se escritor e realizador de documentários da TVI. Investiga, diz ele, e dá trabalho à justiça enquanto processa e é processado a torto e a direito. Agora pago por alguém e já não por todos nós. Um festival.

Se Hercule Poirot, esse ilustre detective privado protagonista da maioria dos livros de Agatha Christie , se tivesse deslocado à Praia da Luz para desvendar mais este mistério à partida sem resolução, tudo teria sido bem diferente.
A começar logo pelo supermercado Marrachinho, que teria de abrir uma zona Gourmet para senhor de bigode poder abastecer-se enquanto durava a investigação. Não o estou a ver a ir ao continente de Albufeira muito sinceramente. Muito ripipi para um senhor tão fino.

Mas Poirot saberia desde logo evidenciar que a hipótese mais provável e assumida por todos que sustentava que Maddie teria sido alegadamente levada de acelera por uma senhora idosa e pequenina, mentirosa e misteriosa, seria para afastar linearmente. “peu probable mes amis”
Nunca poderia ter sido a senhora das bolas de Berlim, isto porque Poirot sabia, c´est vrai, que a senhora idosa e pequena de que falavam chama-se afinal Fábio, tem 1,90 e 23 anos, vende bolachas americanas e não Bolas de Berlim e é travesti no conde Redondo. Também conhecido na praça como “Fabiana – a bicha americana.
“Un transsexuel assez fou” díria Poirot escandalizado para o seu fiel amigo Capitão Hastings.

Teria então, e como sempre, de partir do zero.
No local do crime pairava um odor estranho mas familiarmente conhecido no ar. Sentia-se mesmo que disfarçado pelo cheiro dos gases lançados por Gonçalo e colegas depois de derreterem dois ou três pacotes de filipinos de chocolate.
Também em nada se assemelhava ao cheiro intenso a óleo queimado com que a Zundapp de Fábio teimava em presentear os transeuntes cada vez que aquela bicha doida arrancava “ a pleine vitesse” rumo ao desconhecido.
Era um cheiro adocicado e intenso. Quase corroía as narinas. Porém era um cheiro que Poirot conhecia bastante bem, mas que a sua mente de momento bloqueada pelas bufas de Gonçalo não conseguia associar a qualquer imagem, pessoa ou lugar. O cheiro a gás entranhado no apartamento era de tal forma potente que não conseguia aceder a nada que tivesse registado no seu cérebro. Acender um isqueiro teria sido letal, felizmente tinha-se esquecido do cachimbo no aparthotel e a casa tinha gerador caso a luz falhasse.
Tinha de fazer algo, mas francamente não sabia o quê. Acariciava o bigode sempre perfeito e irrepreensivelmente cortado como se o mesmo o aconselhasse.
Decidiu sentar-se na sala agora vazia de vida do apartamento onde tudo se havia passado e ligou o televisor.
As imagens passavam sem que as fixasse ou retivesse, sem que lhes reconhecesse qualquer direito a um mero segundo da sua atenção.
Mas subitamente houve uma figura no ecrã que o fez despertar desta aparente letargia em que se encontrava…
…E voilá! todos os obstáculos que lhe entorpeciam a mente para além do cheiro a rabo que estava na sala se desvaneceram. Tudo o que o impedia de pensar claramente se desmoronou como um baralho de cartas daqueles foleiros com gajas e gajos nus e eis que se fez finalmente luz, na Praia da Luz.
Tudo agora era claro. Tudo se encaixava. Parfaitement.
Na televisão mostravam a figura de Betty, uma septuagenária quase nos oitenta e muito simpática, que Poirot conhecera há algum tempo num jantar de beneficência em prol de crianças desaparecidas organizado pela embaixada francesa em Malta.
Associou imediatamente Betty ao cheiro que o atormentava. Não ao dos mimos rectais de Gonçalo mas o cheiro doce e intenso que o vinha a intrigar. Era inconfundível o aroma.
Nº 5 de Coco Chanel. Conseguiria cheirá-lo ainda que estivesse enfiado num barco da Pescanova depois do Capitão ter estado toda a noite a fazer douradinhos com arroz de cenoura.
Como não tinha percebido logo? Como podia não ter reparado?
O cheiro não provinha de Betty, mas sim da senhora que o acompanhava na altura, muito mais nova e espampanante. Excêntrica o suficiente para envergonhar uma sala inteira.
Na altura Poirot lembra-se de ter pensado que esta senhora seria provavelmente filha de Betty.
Agora pela televisão percebia que a estranha senhora se tratava aparentemente de um homem que se chamava José.
Que confusão “Mon Dieu”. Tinha estado a jantar com Betty, ou melhor Maddie em Malta há apenas 1 mês e não fora capaz de a reconhecer, apesar de tantas fotografias que circulam com o aspecto da menina 2 anos mais velha.
Mas a transformação tinha sido muito grande, apesar de agora Poirot ver claramente as semelhanças, principalmente no sorriso e dentição.
E em boa verdade se diga que naquele jantar as atenções nunca tinham estado voltadas para Betty mas sim para a menina que afinal é um José e que se havia pegado com um empregado depois deste ter afirmado que esta o tinha apalpado. A discussão era grande.
Tudo isto afinal fazia parte de um plano hábil de encobrimento. A bicheza de um homem escondia e abafava o grito suplicante de ajuda de uma menina desesperada.
E havia sido esta a falha de Poirot. É que por vezes o mistério vive às custas do improvável. E muitas vezes o improvável torna o mistério invisível. Para todos.
N'est-ce pas?

Show Cristiano parte 2




(após brunch composto por febras, entrecosto e franguinho . Batatas fritas , salada de tomate e cebola tudo acompanhado de Sprites prossegue a entrevista)





- Cristiano gostas de ler?
Cr7 - Sim claro. Penso que os livros são importantes.
- Qual foi o teu último livro?
Cr7 - Penso que nunca escrevi nenhum. Mas vou falar com o meu agente e confirmar essa situação.
- Não. Queriamos saber qual foi o último livro que leste?
Cr7 - Foi o manual de instruções de um plasma que comprei. Precisava de programar os canais.Tem bastantes figuras, e isso é importante.
-E qual é o teu livro favorito?
Cr7 - A Biografia do Cristiano Ronaldo.
- Porquê?
Cr7 - Porque aprendi muitas coisas que desconhecia. Ajudou-me a crescer bastante.
- O que pensas de Barack Obama?
Cr7 - Acho que penso o que toda a gente pensa. É um terrorista, matou muita gente e que por isso devia estar preso.
- Não estarás a falar de Osama e não de Obama?
Cr7 - Talvez. Penso que sim. Mas se são irmãos devem estar juntos.
- Se não fosses jogador de futebol o que gostarias de ser?
Cr7 - Gostava de ser um bom piloto de F1. Como o Pelé.
- Mas parece que tens tido alguns problemas de condução. Ainda há pouco tempo tiveste um acidente aparatoso no qual perdeste o teu novo Ferrari...
Cr7 - Pois foi. Estava a chover bastante, o piso estava escorregadio e não tinha levado os pneus de chuva nesse dia.
- Mas ias muito depressa?
Cr7 - Não. Penso que até ia devagar. Ia a escovar os dentes e entretanto o Zé ligou-me a dizer que tinha deixado os brincos novos em cima da tampa da sanita. Fiquei um pouco desorientado com essa noticia e o acidente foi bastante rápido.
- Gostas de brincos?
Cr7 - Sim, se forem caros e com "bastantes brilhantes"
- Eras capaz de pousar nu?
Cr7 - Quando? Agora?
- Que comentário fazes em relação a Maradona quando diz que não és o melhor jogador do mundo?
Cr7 - Penso que temos de compreender e ajudar as pessoas que estão doentes.
- Mas sabes quem é Maradona?
Cr7 - Sim, claro. E tenho bastante respeito pelos toxicodependentes.
- Qual o teu prato favorito?
Cr7 - Bife com batatas fritas, arroz e ovo estrelado.
- A cavalo?
Cr7- Não, de vaca. De cavalo nunca experimentei. (risos) Não entendo o que dizes.
- Queriamos dizer o ovo a cavalo...
Cr7 - Um ovo a andar a cavalo? (risos) Pensas em cada coisa também... Os ovos normalmente "é" das galinhas amigo.
- esquece Cristiano passemos a outro assunto...
-Gostava de casar um dia?
Cr7 - Sim claro. Penso que é importante uma pessoa casar-se.
- E já sabes com quem?
Cr7 - Penso que com uma mulher.
- O que pensas de Carlos Queirós?
Cr7 - Penso que fica melhor sem barba.
- E de Quaresma?
Cr7 - É uma época muito bonita. Somos bastante religiosos e temos muita fé em Deus.
- Gostavas de ver Mourinho na selecção nacional?
Cr7 - Sou contra jogadores estrangeiros na selecção nacional.
- Mas mourinho é português e é treinador.
Cr7 - Ah . Pensava que ele era Italiano depois "que o vi" uma vez a falar Inglês.
- Mas sabias que ele começou como tradutor de Inglês do treinador Bobby Robson?
Cr7 - (risos) Vocês jornalistas são engraçados. Mas isso também é importante.
- Nasceste numa ilha e numa ilha estás...
Cr7 - Ilha amigo? Não sei do que falas mas Manchester não é uma ilha..
- Estávamos a falar da Grã-Bretanha..
Cr7 - Não conheço. Fica aqui perto?
- Gostas de Alberto João Jardim?
Cr7 - É um bom Presidente da República.
- Da República?
Cr7 - Sim, da República da Madeira.
- E Gordon Brown?
Cr7 - Penso que é um excelente treinador. Tem feito um bom trabalho nas camadas jovens.
- E Fidel Castro?
Cr7 - É um lider nato. Tanto dentro como fora do balneário.
- Che Guevara?
Cr7 - Um dos melhores tenistas de sempre. Muito bom na terra batida.
- Gostas de cinema?
Cr7 - Sim muito.
- De que género?
Cr7 - Salas grandes com som bastante alto e muitas pipocas.
- E de jogos?
Cr7 - Sim também.
- Que tipo de jogos?
Cr7 - Gosto bastante de jogar à cabra cega. Costumo jogar com o Nani, o Giggs e o Anderson que normalmente traz a cabra. Quando não temos cabra , a cabra é o Zé que não se importa de ser a cabra e gosta de jogar "com a gente".
Gostas de doces?
Cr7 - Não, mas adoro mousse de chocolate, arroz doce e patas de veado.
-E de peixe?
Cr7 - Prefiro Bacalhau.
- Mas o bacalhau é um peixe...
Cr7 - Sim claro. Só falta dizeres-me que as águias existem e que são pássaros.
- E existem de facto Cristiano. Deves estar a referir-te aos Dragões que são figuras mitológicas que na realidade não existem..
Cr7 - Não se existem ou não. Mas sei que ganharam o campeonato português. Certo?
- Certo Ronaldo...


























O “Político arrumador” de Darwin


Portugal tem sem qualquer sombra de dúvida os arrumadores mais característicos da Europa. Igualmente tem alguns dos políticos mais originais e “especiais” de toda esta comunidade.
Porém, vamos dedicar-nos apenas aos políticos corruptos, que podem ou não estar incluídos nos demais citados.
Se Darwin fosse vivo e cidadão português, e dada a sua curiosidade que o fez ser quem foi e o faz continuar a ser quem é, já teria com toda a propriedade tornado este facto um verdadeiro case study.
Facilmente chegaria à conclusão que estas duas evoluções de uma mesma espécie, que provavelmente definiria respectivamente como “homo arrumadoris” e “homo politicus corruptus”, são afinal bem mais similares do que à primeira vista poderiam parecer.
Por entre visitas à Assembleia da República, Câmaras Municipais e a vários parques de estacionamento do país para apreciar a fauna e alvo do seu estudo no seu habitat natural, Darwin chegaria certamente a algumas e interessantes conclusões.

Conclusões que me atrevo a tentar reproduzir:

“São ambos bichos extremamente agarrados ao lugar quando efectivamente o conseguem alcançar e manter. Todavia, antes de o conquistarem de facto, travam batalhas viscerais com os seus iguais. Chegando por vezes no caso de alguns arrumadores a haver migrações para outros estacionamento que considerem mais apetecíveis e propícios ao desenvolvimento da sua actividade. Já o político migra frequentemente de território de forma a conquistar o seu lugar ao sol no poder. Ou vai simplesmente pulando de lugar em lugar dentro dos centros de decisão. De locais para nacionais, de nacionais para europeus, e em alguns casos raros desta variante de bicho político português, de europeu para mundial. Podendo neste movimento transitório mudar de partido político, de ideais ou orientações políticas, podendo abandonar a sua tribo se necessário for para garantir que o seu lugar não está em risco. A sobrevivência sobrepõe claramente a coerência. O instinto animal no seu melhor.”

“Os arrumadores apresentam-se bastante sujos por fora. Já nos políticos é mais comum esta sujidade ser interior” “A podridão habitual nos dentes dos arrumadores bem poderia ser o espelho da alma de alguns políticos”

“Em alguns casos os arrumadores usam as sobrinhas como fonte de rendimento, iniciando-as na prostituição. Já no caso dos políticos é mais frequente observar-se a utilização de sobrinhos condutores de táxi e que vivam simultaneamente no centro da UE. Fenómeno muito comum na tribo “Isaltinius” que habita a zona costeira de Oeiras.”

“Os arrumadores adoram contar tostões. Os políticos corruptos adoram roubar e gastar milhões” “Os primeiros são viciados em heroína, os segundos são viciados em poder, qualquer forma que ele tenha, seja no estado, nas autarquias ou empresas públicas ”
“Ambos pedincham sem qualquer vergonha. Uns pedem trocos os outros pedem votos. Característica comum é também a sua velocidade de propagação. Quer uns quer outros rapidamente se espalham como um vírus ou uma bactéria, alcançando rapidamente grandes áreas”
“Os arrumadores gostam de viver na miséria, desgraçadamente. Os políticos gostam de desgraçar a vida de quem se lhes ousa atravessar no caminho.”
“O arrumador tem a sua “zona”, o político tem a sua “área de influência”
“Os arrumadores vão perdendo progressivamente a dignidade, os políticos na sua grande maioria nunca a tiveram.” “O aumento da dependência de estupefacientes progressivo nos primeiros é semelhante à progressiva da falta de vergonha e carácter de alguns políticos ao longo das suas carreiras.”
“O arrumador vive dos “caldos”, Já o político vive do “tachos”. Mas são ambos exímios no que toca a “caldeiradas”.

“ Alguns políticos comportam-se como autênticos arrumadores. Esperam pacientemente por um lugar vazio para o preencherem não com um carro (como faria o vulgar arrumador) mas com mais um elemento da sua tribo.
O lugar é sempre preenchido por mais um elemento inútil seja ele primo, filho, neto ou sobrinho de alguém com peso na hierarquia. Perpetuando a espécie. Isto vai fazer com que o elemento “corruptus” conquiste a simpatia de figuras importantes, mantendo a sua posição e aumentando a sua esfera e área de influência no seio da tribo. Tornando-o imprescindível na estrutura e uma peça vital na protecção e continuidade da evolução desta terrível e temível espécie”
“Tanto políticos como arrumadores são amiúde vezes amigos da mentira. Fingem frequentemente ser simpáticos e prestar um bom serviço ao resto das espécies, de forma a verem assegurado o seu lugar e alcançarem os seus objectivos, seja dinheiro para mais uma “dose” ou votos para a eleição de uma qualquer Junta de freguesia. Passa-se tanto em zonas rurais como urbanas.
"Quer arrumadores quer políticos distinguem-se dos demais pela facilidade de adaptação a diferentes habitats. Mesmo que hostis.”

“Em termos de seriedade, o arrumador leva vantagem comparativamente ao político, que se comporta como o já estudado camaleão aquando da viagem de estudo às Galápagos. O arrumador não tenta esconder permanentemente aquilo que é. Nem pretende ser mais do que parece. Não procura o branqueamento de situações menos claras em que está ou esteve envolvido. Até porque normalmente não está em condições de o fazer. Encontra-se muitas vezes ressacado e sem qualquer capacidade de raciocinio, chegando por vezes a não saber o seu próprio nome. O arrumador normalmente não falseia ou distorce realidades de forma a enganar e subjugar os demais, sendo já o político perito nesta matéria.
O arrumador é o que é. Quem quer dar moeda dá, quem não quer vai embora. O político corrupto tem tendência a manter-se, mesmo que sinta que ninguém o quer por perto.
Como uma barata procura o calor, ele procura o poder"

“Alguns políticos dizem o que for preciso quando toca a caçar. Mesmo que atente contra a sua honra e/ou da sua tribo, da sua ideologia ou partido político. É portanto um bicho em permanente evolução e cujo estudo se torna bastante difícil se não aprofundado, já que se encontra em constante mutação.
Alguns vegetam na AR, ninho principal já identificado, mas estão espalhados um pouco por todo o país.
Falam de honestidade e seriedade como trunfos sem que estes adjectivos caracterizem a sua própria actuação. Alguns exaltam o progresso da espécie quando eles são a imagem do atraso democrático do habitat que controlam.”

“Normalmente esta espécie Corruptus tende a levar os demais habitantes do meio ao desespero, muitas vezes ao desemprego e miséria profunda. Vivem sem aparente remorso ou arrependimento. Ostentam a sua posição e riqueza sem qualquer vergonha.
Servem normalmente os membros mais ricos e hostilizam os mais pobres, esquecendo-se que foi esta maioria indefesa e por eles trespassada que os levou ao poder na tribo, invariavelmente sob falsas promessa de mudança positiva do habitat e vidas dos que por lá se passeiam.”

A política, como diria o meu bisavô, e sabia bem do que falava então: é a “coisa mais suja que existe à face da terra”.
70 anos depois e face ao que vou assistindo diariamente sou obrigado a dar-lhe razão.
E Darwin certamente também o faria.

Show Cristiano parte 1


- Boa tarde Cristiano. Antes de mais obrigado por nos concederes esta entrevista e nos receberes em tua casa.
CR7 -É um prazer. Penso que é sempre bom receber-vos em minha casa. Penso que é importante.
- O que sentes ao saber que tens milhões de fãs por todo mundo?
E em particular tantos milhões de fãs num país como o Japão?
CR7 - Fico muito feliz. Adoro África. Adoro o calor. Espero um dia poder ir lá com mais tempo.
- E as meninas?
CR7 - Isso é com o Anderson. Ele é que costuma tratar disso.
- Mudando de assunto, aprecias "nouvelle cuisine"?
CR7 - Eu não sou muito de novelas. Gosto mais de filmes de acção. A dona dolores e a minha irmã Cátia é que gostam de ver essas coisas.
- É verdade que o teu ex-cunhado é o teu melhor amigo?
CR7- Sim. Lava-me a roupa com soflan. Fica macia. E isso é importante.
- O que pensa a tua irmã dessa relação?
CR7- Qual relação?
- Com o teu ex-cunhado e ex-marido dela.
CR7- Nós não temos relações. É só amizade. Tenho colegas e amigos que curtem essas cenas. Mas eu sou mais tranquilo em relação a isso.
- É verdade que acreditas no Pai Natal?
CR7 - Penso que sim. É importante acreditar. Ele é amigo das crianças. E as crianças "é tudo".
Mas fiquei um pouco surpreso quando vi que ele anda metido em politicas.
- Na política?
CR7 - Sim. Vi-o na tv numa manifestação. Tudo à pancada.
- Estás a falar de vital Moreira, candidato às eleições europeias plo PS?
CR7 - Penso que sim. Penso que é isso que dizes.
- O que achas da críse?
CR7 - Acho que também é preciso. E quando é assim só temos de estar agradecidos.
- De que música gosta o Cristiano?
CR7 - Não sei. Mas eu gosto de ouvir bastante a minha irmã Cátia.
- E Chopin?
CR7 - É um bom avançado. Jovem e com talento. Se for humilde pode ir longe.
- Costumas pensar no que vais fazer no pós futebol?
CR7 - Sim. Por vezes penso que no que fazer a seguir aos treinos. Muitas vezes vou ao cinema com o Nani e outras vezes ao Marks and Spencer à zona dos legumes frescos.
- Estavámos a falar de quando a tua carreira de jogador profissional de futebol terminar'
CR7 - Isso são boatos maldosos para me tentarem prejudicar. Não vou alimentar polémicas.
- O que sentes quando pessoas como Bobby Charlton te elogiam?
CR7 - Penso que é importante. Tenho muito carinho pelos idosos.
-Mas sabes quem ele é?
CR7 -Claro. É um velho de cadeira de rodas que costuma estar a ver os jogos do Manchester.
- O que pensas de Merche Romero?
CR7 - Quem? ah. Penso que nunca ninguém me espremeu tão bem as borbulhas. Nem o Zé (ex-cunhado)
- Gostas de roupa?
CR7 - Sim. Mas gosto mais de estar sem ela.
- Qual é a tua frase preferida?
CR7 - "Penso logo exijo" de Plutão
- Queres dizer Platão e "penso logo existo", uma frase de Sócrates.
CR7 -Sim isso. É simpátco Sócrates. Estive com ele com ele na cerimónia de abertura do Euro.
- E Messi, o que achas dele?
CR7 - Penso que é um bom guarda-redes. Faz lembrar o Ricardo entre os postes. Por falar nisso, onde anda ele?
- O Ricardo é jogador do Bétis de Sevilha. Está a lutar para não descer de divisão.
CR7 - Não sabia que ele estava a jogar em Itália. Um grande abraço para ele. Tenho alí um cão que a ladrar parece o Ricardo a falar. Chama-se "esganiças". Queres ouvir?
- Madoff diz-te alguma coisa?
CR7 -Sim claro. É uma grande defesa central. Bastante agressivo e bom nas bolas paradas.
Da vinci?
CR7 -Bom grupo. Lembro-me de irem ao festival da canção
- E Adolf Hitler?
CR7 - É um jogador possante. Bom no 1 contra 1. Dribla bem e sai bem da finta em velocidade.
- Jesus no Benfica?
CR7 - Jesus no Benfica e em todo lado. É importante ter fé.
- Como?
CR7 -Espera que já comes. O Zé está a acabar de grelhar a carne ao pé da piscina. Já vamos trincar qualquer coisa.



Marinho Pinto - "Confessions of a TV Junkie"


- RTP muito boa tarde, fala a Susana, em que posso ser útil?
- Boa tarde menina. Fala António Marinho Pinto.
- Boa tarde "Soutor". Em que lhe posso ser útil?
- Isso pergunto-lhe eu. Em que vos posso ser útil? Não há nada aí em que me possam "encaixar" hoje? Preciso de aparecer. Vamos.
- Perdão Soutor..
- Está perdoada menina. Estou a falar de aparecer na TV. Vá lá, veja lá isso. Pergunte aí se não precisam de me ouvir falar sobre qualquer coisa. E rápido que tenho a SIC Noticias na outra linha. Vocês é que sabem. Eu cá não sou esquisito.
- Um momento Soutor.

(pausa de alguns minutos)

-Soutor obrigado por ter aguardado. Estive a falar com a produção do telejornal e redacção e realmente hoje não temos nada no alinhamento em que seja necessária a opinião do Senhor Bastonário.
- Mas qual Bastonário menina!? O António aqui fala de qualquer coisa! Não vamos agora escamotear essa situação!
Ontem mesmo estive a falar da apanha do mexilhão na Nazaré e daqueles agrafadores de plástico pequeninos em Queluz no programa da tarde da Júlia Pinheiro (ainda me doem os ouvidos menina, aquilo não é fácil)
E logo a seguir arranquei para a Madeira onde estive toda a noite numa rádio local a falar de compotas de morango e vinhos Transmontanos.
E no táxi a ir para o aeroporto ainda falei para a TSF em directo sobre os incidentes na Bela Vista. Eu nem sabia bem o que era a Bela Vista, pensava que era uma urbanização na praia da Galé, mas fartei-me de falar.
-Ok soutor, então peço-lhe só que aguarde mais um bocadinho.
-Va lá rápido menina. Estou a começar a ressacar.

(nova pausa de mais alguns minutos)

- Olhe Soutor lamento muito mas realmente para hoje não temos nada.
Já amanhã de manhã temos o cancelamento de uma actuação do "Duo ele e ela".
Vinham cantar o "Perfume de Bicha" mas parece que o Crispim está com uma diarreia desgraçada e ligaram a cancelar.
Pelo que por esse motivo temos 10 minutos ainda em aberto. Se o Soutor quiser aproveitar..
-Óptimo, óptimo! Quer dizer tenho pena do Sr. Crispim e estimo-lhe as melhoras.
Mas diga ao Jorge que eu canto e danço se ele quiser. Até toco castanholas vestido de Sevilhana.
Olhe peço só que me mandem um mail para a Ordem com a hora exacta e o que pretendem que faça ou assuntos que seja preciso falar. É que eu tenho de estar às 12:30 em Carnaxide para um directo no "Fátima" e participar na "árvore das Patacas". Vou falar com aquele velhote que anda por lá com um pato na mão.
-Muito bem Soutor. Precisava só de saber se necessita que lhe reserve um quarto de hotel para hoje em Lisboa, uma vez que vem de Coimbra.
-Não menina. Agradeço-lhe mas eu prefiro dormir no automóvel na estação de serviço de Oeiras da A5. Não vá aparecer por aí mais alguma oportunidade.







A minha Soraia está cada vez mais gorda


A ordem natural das coisas é os filhos orgulharem-se dos pais e depois os pais sentirem orgulho dos seus filhos. É sem dúvida um processo complexo. E como processo complexo que é, há sempre um período intermédio de adaptações e indefinições.
E neste período de inconstância tudo pode acontecer. Todo o tipo de reacções de parte a parte.
Em alguns casos os pais optam por proteger em demasia os filhos. O que é compreensível.
Invariavelmente esta protecção excessiva por parte dos papás acaba na negação dos mesmos em relação a factos e características por demais evidentes e marcantes da personalidadade dos próprios filhos. Ou seja, alguns pais gostam de viver dentro da despensa enquanto os filhos correm nus com a turma inteira dos escuteiros pela cozinha.
A atitude oposta também acontece frequentemente. Isto na medida em que outros pais há que não se ensaiam muito quando toca a exporem os seus filhos exageradamente, seja em frente a quem for. Não percebendo que com esta atitude acabam por envergonhar os próprios filhos, ridicularizando-os. Definindo assim traços das suas personalidades, ao mesmo tempo que as limitam.
Outros há ainda que tendem para sobrevalorizar traços da personalidade e características dos seus filhos. Tratando-os como génios mesmo que com 17 anos ainda não consigam apertar os próprios sapatos. Criando uma ilusão para muitas vezes tamponar deficiências na educação.

Mas vamos a alguns exemplos de cada um destes tipos de atitudes.

Exemplos de exagero de exposição

"O meu Roberto está cada vez mais burro coitadito..."..." a professora da primária já me disse que já viu jumentos na terra dela com ar mais inteligente..."

"A minha Soraia está cada vez mais gorda..." "... o pai já lhe comprou um chocalho para ver se a miúda se envergonha..." "...e a avó já diz a brincar que se a miúda continua a crescer assim vende a "Mimosa" porque não precisa de duas vacas na fazenda.." "...E está sempre a dizer-lhe para ir correr para o pomar para a fruta cair mais depressa..."

" Amigas estou muito preocupada com o Luisinho, ele agora deu para ler livros da Margarida rebelo Pinto. E quer ter aulas de Ballet.." "...Há uns dias encontrei-o em frente ao espelho com os meus collants rosa vestidos, de carteira TOUS e saltos altos da Bimba e Lolla.."
Reacção : " Ó minha querida, não me diga que o seu filho é rabeta ?".."o Luis é Picolhito? Não pode ser..." "...Ai quando a minha Rafaela souber..."
( O pequeno Luis até poderia vir a ser o maior garanhão da Península Ibérica. Mas a vida dele como heterosexual acabou de terminar com este desabafo da mamã)

Exemplos de protecionismo exacerbado (Ilusionismo maternal - vulgo cegueira sentimental)

"O meu César anda a chegar a casa todos os dias às 7 da manhã a tresandar a fumo e com os olhos esbugalhados e a brilhar. Até parece a Manuela Moura Guedes. E ri-se muito o garoto. Parece um tolo. Anda amarelado e sempre cheio de fome.
Eu já lhe disse que não pode continuar com estas noitadas de estudo" "...Estão a dar cabo da saúde dele..." ..." E parece que o explicador que eles arranjaram fuma muito. Parece uma chaminé o homem..."

"A minha mais nova agora dá-lhe para ir todos os dias à missa. Desde que o padre Angelo tomou conta da paróquia, passa a vida na Igreja a miúda. Tão devota a minha menina! Graças a Deus! E vem de lá sempre toda "desgrenhadinha" de tanto cantar no coro. O padre Angelo sabe mesmo motivar esta juventude..."

"O meu Rui e o teu Paulito dão-se tão bem não achas Virginia? É uma amizade tão grande. Agora até já falam em ir juntos para a escola de cabeleireiros. Já não existem amizades assim. Sinceras. Estão mais tempo juntos que alguns namorados. Deus me perdoe..."
"No outro dia apanhei-os agarradinhos a dançar o "Deixa que te leve" do Paulo Gonzo.
Tão amigos. Que riqueza ."

(em consulta no médico de família)
"Olhe Dr. eu não acho nada gordinha a Catarina. 14 anos e 80 kg parece-me perfeitamente normal" (isto enquanto a filha enfarda um bollycao e bebe uma coca-cola de meio litro em duas goladas)
O médico perplexo com a atitude, pede à Catarina para sair um minuto.
"Olhe Dona Alzira, eu não sei se a senhora já reparou, mas a sua filha tem um problema"
"Ó doutor não me assuste, não me diga uma coisa dessas. São as análises? O que é que se passa?
"Nada de grave por enquanto. Não se apoquente."
"Então doutor mas afinal o que é que se passa. Qual é o problema da Catarina?"
"Olhe Dona Alzira.. (pausa) ...o que se passa é que a Catarina...(pausa).... A Catarina parece uma vaca leiteira"..
"Como diz doutor????"
"É isso mesmo que lhe digo...Parece uma vaquinha a sua filha Catarina. Lamento muito."
"E a continuar assim qualquer dia ela não entra em nenhum autocarro sem ser de lado. E a rebolar"..."Está a compreender o que lhe estou a dizer Dona Alzira?"

Exemplos de sobrevalorização desmedida/desfasamento

" A minha Jéssica está cada vez mais parecida com a Beyoncé. Só lhe falta ser pretita e ter os dentinhos todos, porque até já canta muito melhor do que ela."
"Ficou em 2º lugar no Concurso para jovens talentos organizado pela Junta de Freguesia de Barcouço.
À frente dela só ficou o filho da "Tina dos Correios", o Sergito, o moço enfia salsichas frescas pela boca e tira-as enroladas em couve-lombarda pelo nariz."
"Ai o rapazinho é jeitosinho, mas a tua Jéssica também é uma princesa, não lhe fica nada atrás..."

"O Ricardo é fabuloso. Já consegue fazer contas de multiplicar sem a máquina de calcular. E só tem 16 anos o garoto. Aquilo vai ser Mínistro de certeza.." (Nesta eu acredito...)

(O pai para o irmão durante uma partida de futebol de iniciados)
"Estás a ver pá. O teu sobrinho parece o Cristiano Ronaldo. Só mais anafadito um bocadinho".
(O miúdo é suplente da equipa.Nunca jogou. Pesa 100 kg registados em Abril pelo senhor Dário da Farmácia Central de Penela e chamam-lhe o bocarrota. E encontra-se estendido junto ao banco de suplentes a derreter um Sundae de Chocolate)
"Isso come filho que tás a crescer!!"

"O meu Renatito é um anjo de moço, é tão sossegadinho"
(enquanto isto o "Renatito" está a arrancar os cabelos da Avó Belinha que está entrevadinha numa cama e não consegue falar)
Enquanto o a mãezinha gaba o menino, o pequeno anticristo vai deixando a avó roxa de todo.

De uma coisa tenho a certeza: Seja de que ângulo for. Com muito ou pouco nevoeiro paternal ou maternal. Com maior ou menor enfâse. Não tenho qualquer dúvida que qualquer uma destas formas de um pai ou mãe ver o seu filho são um sinal de preocupação e afecto.
E por isso é que são pais.













Chewbacca e a TV CABO


Ligar para a linha de apoio a clientes da TV CABO é como ligar para um planeta distante.Para outra galáxia. Onde tudo é diferente. As pessoas, a língua e principalmente a disponibilidade para arranjar o meu modem wireless.

Muitas vezes sinto, após mais uma chamada para esta linha, que a conversa teria sido bem mais produtiva se do outro lado estivesse um surdo-mudo da Guatemala.

Sinto-me como se tivesse acabado de ligar para a Rádio Beira Litoral no decorrer do programa de discos pedidos e tivesse pedido para tocarem a "Habanera" de Bizet ou o "Bolero" de Ravel. Logo a seguir a terem passado o "Tu És Mentirosa" do Armando Gama E Valentina , do albúm " Tu Tens Outra" - CD, Espacial, 1998).

Outras vezes sinto que por qualquer engano na linha, acabei a falar para a nave "Millenium Falcon" do Star Wars.
Porque já por muitas vezes tenho pensado ao desligar, que estive efectivamente a falar durante alguns minutos com o Chewbacca (Chewie para os amigos). O co-piloto peludo e simpático da nave liderada por Han Solo.

Isto dado o teor da conversa.
E principalmente pela dificuldade de me conseguir fazer explicar e compreender. E ainda de entender o que quer que seja que me estão a tentar dizer do outro lado da linha.

Surpreendentemente ou não, nunca nem por uma vez aconteceu ligar e ver de imediato o meu problema resolvido. Ou uma dúvida esclarecida.

O sentimento com que fico só o consigo comparar ao que provavelmente sentem os jornalistas americanos quando pedem para fazer filmagens na Coreia do Norte (ou os jornalistas portugueses continentais no arquipélago da Madeira).
Ou o que sente um refugiado Cubano quando pede asilo político nos EUA.
Ou ainda o que vai na alma do Bibi quando em plena reunião de pais e encarregados de educação de um jardim Escola se levanta e pergunta: "A que horas é o recreio?"

São estranhas as conversas. E igualmente estranhas são as pessoas com quem falamos.
Mas normalmente começa sempre bem e de forma educada:
"Boa tarde, linha de apoio TVCABO, fala a Sheila Patricia, em que posso ser útil ?"
Depois de descrevermos o motivo que nos levou a ligar para a linha de apoio, aí sim, começa a derrocada.
E aqui já não há muito a fazer. Já nos apercebemos que o problema que tinhamos e que nos fez ligar inicialmente passou a ser o menor dos nossos problemas.
O "big issue" começou efectivamente quando o Chewbacca atendeu o telefone e grunhiu do outro lado da linha.

Normalmente a meio da chamada até já nos esquecemos do que nos fez ligar. Isto porque o Chewbacca, feliz da vida que fica por nos ouvir, faz questão de nos pôr a falar com todos os membros da tripulação e assim podermos explicar 5 ou 6 vezes o que nos vai perturbando.

Falamos com o Obi-Wan Kenobi da "Facturação", com o Luke Skywalker do "apoio técnico" e com a princesa Leia do "apoio comercial". Pelo meio levamos com o C-3PO a fazer barulhos metálicos como se estivesse com uma Disenteria e normalmente a coisa só termina quando pedimos para falar com o Lowbacca ou o Darth Vader da área das "Reclamações".

O problema esse é que continua por resolver.
E nesta altura do campeonato já gastámos 17€ do saldo do telemovél.
Vejo isto como uma forma súbtil de fazerem os clientes aderir ao "telefone fixo com chamadas nacionais gratuitas". Desta forma podemos ligar gratuitamente para a linha de apoio e falar horas a fio com o Chewbacca e com o resto da rapaziada da nave.

O objectivo é vencer-nos pelo cansaço. Dizem-nos que o tempo de espera da chamada é de 5 minutos. Dão-nos música foleira durante 20 minutos.
E depois de falarmos uma hora sem que ninguém nos ouça ou entenda, acabarmos por desistir.
Seja porque o saldo do telemóvel se esgotou, o telefone portátil acabou de cair para a panela com sopa de agrião, o miúdo se borrou todo outra vez ou porque o jogo da Champions está quase a começar na televisão (e como não temos sinal acabamos por ir para o café da esquina).

A verdade é que esta linha de apoio não resolve problema nenhum.
Isto porque a própria linha é um problema.
Foi criada para ser um problema para os clientes que têm um ou vários problemas.
E enquanto este problema da própria linha de apoio ser ela própria um problema subsistir, nenhum outro problema pode ser tratado. Por muito grave que o problema seja.

E este é que é o problema.



















Conversas de café


Estar num café pode tornar-se uma expreriência bastante interessante. Sentados numa mesa anónimamente, e se estivermos com atenção, facilmente descobrimos todo um novo mundo.


Entretidos com uma revista ou um jornal, a brincar com o telemóvel ou portátil (como eu estou neste preciso momento) ou distraídos com a pele que irritantemente teima em crescer junto ao canto da unha. Somos praticamente invisiveis.


Enquanto bebericamos a nossa meia de leite morna e roemos um húngaro de chocolate podemos ter acesso gratuitamente a um espectáculo que ninguém admite gostar mas toda a gente adora assistir: as conversas da mesa do vizinho. Não é óptimo?

Dependendo do espaço onde nos encontramos variam os temas de conversa. As conversas que se desenrolam no café "Central de Antuzede" dificilmente serão as mesmas, quer no tom quer no conteúdo , que podemos escutar nos cafés das Galerias Atrium Solum de Coimbra.
Não quero dizer com isto dizer que são melhores ou piores. São apenas diferentes.

Os cafés são desde sempre grandes salas comuns de terapia. Grandes congressos de sabedoria do senso comum. Como uma grande feira conjunta de sabedoria tradicional e popular. São autênticos consultórios, com a diferença de que a consulta é aberta e pública, e pode ser acompanhada de uma coxinha de frango e de um batido de morango. Ou de uma mini e uns simpáticos tremoços.

Em cada mesa se sentam um ou vários "psicólogos" que dialogam sobre os mais variados temas. Desde o futebol à canonização de Dom Nuno Álvares Pereira. Do cabelo de José Cid à inseminação artificial. Da Manuela Ferreira Leita à Alicia Keys. Do padre novo da paróquia do Castelejo que usa meias de lã ao supermercado da Tânia que foi fechado pela ASAE ("ela é cá uma badalhoca...").

Tudo. Mas mesmo tudo é pretexto para uma boa conversa de café: as subidas e descidas da Euribor, as borbulhas do namorado, os brincos da "Pedra Dura", os resultados da Ferrari, o preço do gasóleo, o Ministro da Economia que é um camelo, as camisas da Tommy que alguns ainda teimam em usar, a nova colega de trabalho que já se anda a "bater" ao chefe, o chefe que é um atrasado mental e um misógeno reprimido, a Patrícia da secção de jardinagem que é uma tarada e só pensa em roçar-se em tudo o que se mexa, fale e tenha uma maçã de adão (vulgo cartilagem cricoide da laringe acabaram agora mesmo de me informar), o Ruizito "coitadito" que é "meio apaneleirado", mas "até é boa pessoa".
"O José Carlos Pereira das telenovelas que é um canastrão de primeira e está convencido que é actor" e "o António Cerdeira que parece que tem uma ameixa enfiada no rabo quando fala". "O meu marido que anda cheio de gases" e "ressona que nem um porco" e "a minha mulher que cheira mal da boca e está cada vez mais feia". O meu filho que "é um langão, não estuda e só joga playstation" , "a minha mãe que está cada vez mais insuportável, histérica e só berra".
"A Martina Navaratilova que era uma grande fufa", "o carteiro que me perde as cartas todas desde que a mulher fugiu com o melhor amigo, essa grande rameira". "A Belita do quiosque que vai ser operada às varizes e está sempre a chorar desde que o Clemente comprou a peruca nova", "o Cristiano Ronaldo que está cada dia que passa mais parolo e convencido".

Enfim. Ouve-se de tudo e fala-se de ainda mais. Tudo serve para alimentar este vício nacional.

Bem, vou alí à pastelaria "Tulipan". Até já.




E o burro sou eu ?

És! És burro e não és pouco se não aproveitas este "Programa Novas oportunidades" que o Governo criou para ti. Ou melhor, continuas a ser um burro mas ao menos podes dizer és um burro que tem o 12º ano de escolaridade. Ou quem sabe até podes vir a ser um Engenheiro. Ou mesmo chegar a Primeiro Ministro de Portugal. Não era fixe? Não curtias?

O governo pode ter muitos defeitos, mas há que reconhecer quando tem o mérito de fazer algo posítivo pelo país. E sendo a educação uma das "paixões" do Eng. Sócrates, ele não quis deixar os créditos por mãos alheias. E com a ajuda de um conjunto de "mentes brilhantes" quis dar uma "nova oportunidade" à educação.

O governo quer deste modo qualificar os portugueses estabelecendo o 12º como escolaridade obrigatória. Mas mais, quer ainda dar "prioridade à formação de base dos activos – e define objectivos exigentes: qualificar 1.000.000 de activos até 2010."

Ou seja, como portugueses que somos, queremos tudo isto para ontem.
Pessoas com a 4ª classe daqui a uns tempos podem estar a fazer cirurgias no Curry Cabral ou transplantes do rim nos HUC, ou quem sabe gerir o BPN ou o BPP (se calhar faziam melhor figura). E ser Administrador do BPN e ao mesmo tempo Conselheiro de Estado do Presidente da Republica? Impecável!

Hoje maquinista da CP, amanhã administrador da REN. Hoje servente de pedreiro, amanhã Maestro da Gulbenkian, hoje vigarista corrupto e presidiário, amanhã Ministro da Economia, hoje arrumador na Praça do Chile, amanhã Deputado da AR, hoje Ministro das Obras Públicas, amanhã Administrador da Motta-Engil.
Enfim, todo um mundo novo de oportunidades para quem quer "estudar" ,"qualificar-se" e estabelecer novos limites aceitando o desafio lançado pelo governo.

Não chegaria a estes senhores mudar a base para um futuro diferente?
Não chegaria sequer tentar proporcionar as melhores condições de Ensino aos alunos e professores? Desenvolver uma educação sustentada e adaptada às realidades do nosso país cada mais exigentes interna e externamente?
Promover a educação e procurar preencher as lacunas sem medidas desadequadas e contraproducentes "mascaradas" por reformas populistas completamente bacocas seria pedir demais?
Quem anseia por resultados imediatos não entende que educar leva o seu tempo.
Estamos em Portugal. E em Portugal queremos ter sempre frutos sem plantar as árvores.
As poucas que plantamos deixamos que os seus frutos apodreçam. E caiam desamparados.
E muito provavelmente isso ajuda a explicar porque os nossos supermercados estão cheios de fruta Sul-Americana e as urgências dos hospitais inundadas de médicos espanhois e de leste (bons profissionais na sua grande maioria diga-se).
É que isto de esperar por uma geração demora muito tempo.
Este governo precisa desesperadamente de números, de resultados.
Então o que fazemos ? Como acelerar tudo isto? Como querer chegar aos calcanhares de países com uma política de educação a sério, como a Dinamarca e a Suécia, a Inglaterra ou a Noruega, isto de um dia para o outro trepando apenas pelos números?
É Fácil! Muito fácil até. Um pouco de ilusionismo político e voilá...
Então é assim:
Vamos pegar em todos os iletrados e analfabetos deste país e torná-las capazes de fabricar uma bomba atómica, descobrir a cura para a Sida ou acabar com a fome e crise mundiais! Vamos dar-lhe uma "nova oportunidade".
Podemos até estar a falar de alguém burro como uma bota da tropa, com um QI de um esquilo, mas se tiver o 12º ano "martelado" vai concerteza estar ao nível de uma educação europeia e desenvolvida. Capaz de enfrentar todos os desafios. Preparado para enfrentar todos os obstáculos que um mundo cada vez mais exigente nos coloca diariamente.
E de igual para igual com todas os outros esquilos. Sejam eles esquilos portugueses ou estrangeiros.
"Tu és capaz jovem imbecil ! Basta acreditares "uma beca" e teres um "coche de aulas" man. Vá lá meu, não custa nada, levas o Ipod e vais ver que é um instante, depois vais ganhar bué guita e vais ser doutor e cenas...tás a ver?"

Bem, mas para tentar perceber como isto funciona:

Vamos a algumas perguntas frequentes retiradas do site "novas oportunidades" mas agora com as respostas que o site dá acompanhadas de tradução para bom entendedor:

Cursos Científico-Humanísticos

P: O que é um Curso Científico-Humanístico?

R: Trata-se de uma oferta educativa vocacionada para o prosseguimento de estudos de nível superior, de carácter universitário ou politécnico.
Tradução : trata-se de tentar fazer com que tu, meu imbecil, consigas fazer o 12º de qualquer maneira e entrar no Ensino superior pela porta do cavalo.


P: Quem são os destinatários dos Cursos Científico-Humanísticos?
R: São destinatários os jovens com o 9.º ano de escolaridade ou equivalente.
Tadução : os destinatários são todos aqueles que tenham o 9º ano como tu e queiram ter o 12º sem fazerem a ponta de um corno e irem passear uma pasta numa qualquer faculdade do país.

P:Qual é a duração dos Cursos Científico-Humanísticos?

R: Os cursos têm a duração de 3 anos lectivos, correspondentes aos 10.º, 11.º e 12.º anos de escolaridade. Conferem um diploma de conclusão do ensino secundário.
Tradução: Se fossem estes 3 anos em nada diferia do regime normal. O mais certo é em apenas 6 meses teres o 12º ano feito. Passas de burro com o 9º ano a burro com o 12º ano em pouco tempo, não é óptimo? Não te sentes mais inteligente já?

P: Onde são ministrados os Cursos Científico-Humanísticos?

R: São ministrados em escolas com ensino secundário.
Tradução: Nas Escolas Secundárias, ainda tentámos que fosse na loja do cidadão mas era um bocado demais. Pedimos desculpa pelo incómodo.

Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências

P: O que é o Sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências?

R:
O Sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências permite que cada adulto, com idade igual ou superior a 18 anos e habilitações escolares inferiores ao 4.º, 6.º, 9.º ou 12.º ano, possa ver reconhecidas, validadas e certificadas competências que adquiriu ao longo da vida e em diferentes contextos.
Tradução: Burro é assim: tu podes nunca ter estudado puto. Já nem te lembrares de ler e escrever. E mal se perceber até o que dizes, mas o pior que te pode acontecer é ficares logo com a 4ª classe. Porque nós aqui reconhecemos que passaste por uma data de coisas que se sobrepõem aquela chatice toda de ter efectivamente de estudar. É a escola da vida...ou uma cena assim

P: Onde se pode reconhecer, validar e certificar as competências?

R: O processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências é desenvolvido num Centro Novas Oportunidades. Tradução: adivinha lá burro a pergunta que se segue? Esta até tu acertas...

P: O que é um Centro Novas Oportunidades?

R: Um Centro Novas Oportunidades está sedeado numa instituição pública ou privada com um equipa de profissionais que actua no sentido de reconhecer, validar e certificar competências que os adultos forma adquirindo em diversas situações, possibilitando a obtenção de uma certificação de 1º, 2º ou 3º ciclo do ensino básico ou ainda de ensino secundário. Tradução: Nas escolas pois está claro! estás a ver minha avantesma, até já estás a ficar mais esperto só com este paleio.

P: Quantos Centros Novas Oportunidades existem no país e qual a sua localização?

R: Existe, actualmente, uma rede formada por 456 centros distribuídos por todo o país, de forma a responder às necessidades e interesses dos adultos. Tradução: As escolas novamente, como vês isto não é dificil, tem tudo a ver com escolas infelizmente.

P: Quando se inicia o processo de reconhecimento, validação e certificação de competências (RVCC)?

R: O processo RVCC pode ser iniciado em qualquer altura do ano, com um horário a ser acordado entre o adulto e o Centro Novas Oportunidades. Tradução: Quando te der jeito burro. Combinamos e apareces. Não tenhas pressa. Nós estamos cá sempre. Trata das tuas cenas que depois nós tratamos de te pôr esperto num instante. Vais ver não custa nada. Ainda vais ser campeão de xadrez...

P: Como se inicia um processo de reconhecimento, validação e certificação de competências (RVCC)?

R: Após o preenchimento da ficha de inscrição é iniciado, pela equipa de profissionais do Centro Novas Oportunidades , um trabalho de definição do perfil de entrada de cada adulto, de forma a encaminhá-lo para um processo de RVCC ou para uma oferta formativa mais adequada.
Tradução: Vens cá ter connosco, preenches umas papeladas ok? Se não souberes escrever não há crise, a malta ajuda-te (mas não digas a ninguém ok? fica entre nós). Depois consoante a tua estupidez encaminhamos-te para uma oferta adequada.

P: Como se obtém a certificação através do reconhecimento e validação de competências?

R:
O processo de RVCC é desenvolvido com base num referencial de competências-chave de educação e formação de adultos de nível básico ou de nível secundário e com o acompanhamento de uma equipa técnico-pedagógica (profissionais de RVC e formadores das áreas de competências-chave). A validação das competências é formalizada numa sessão de júri, conduzindo à emissão de um certificado e/ou diploma.
Tradução: Vamos fazer uma data de testes, ver se és muito ou pouco burro e ver até onde é que podemos esticar a corda em termos de escolaridade sem parecer muito exagerado, entendes? Não entendes pois não? claro que não deixa lá isso...

P: Que certificação se obtém um adulto que desenvolva um processo de reconhecimento, validação e certificação de competências (RVCC)?

R: Consoante os casos, um processo de RVCC pode conduzir a um certificado de 1º, 2º ou 3º ciclo e, neste último caso, a um diploma do ensino básico, ou a um diploma de ensino secundário
Tradução: Não tens nada a perder, sem fazeres nadinha tens sempre direito a um certificado. Podes até ter um diploma vê lá tu não é incrível meu grande burrito ? E um lanche é claro oferta da casa.
Já viste que podes chegar aqui sem nadinha e daqui partir para uma universidade? E sem teres de estudar rigorosamente nada enquanto os outros desgraçadinhos andam na secundária a esfolar-se? Não é espectacular? Não é do caraças meu grande burro?

Milhares de pessoas, pais, filhos, professores, alunos, ex-alunos, estudantes, ex-estudantes, pessoas sérias, preocupadas e honestas deste país devem estar a pensar o mesmo que eu:
O que é isto?

Milhões de motivos


O euromilhões saiu novamente em Portugal. Desta vez não foi ao senhor vitor da funerária de São Martinho do bispo em Coimbra nem à dona Angela costureira em Sarrazola (Aveiro). Saiu a um grupo que normalmente joga em sociedade (sentido estrito) e às custas da Sociedade (sentido lato). Um bocado como as sociedades organizadas pelos cafés, papelarias e tabacarias, colegas de trabalho, de turma e da faculdade, grupos de escuteiros e professores, os maquinistas da CP do Entroncamento, o grupo de presos da secção de Marcenaria da cadeia do Linhó, o bibi, o Carlos Cruz, o Ritto e os pequenos cantores de Viena, etc. Todos em sociedade.

Mas a diferença está que este grupo não paga os tais dois euros por cada quadradinho preenchido com 5 números e 2 estrelas.
E imagine-se acerta sempre. E sempre em semanas de jackpot.

A lei de financiamento dos partidos, para além de ser uma anedota nacional, é igualmente um maná para os mesmos partidos. Funciona um bocado como o euromilhões mas sem ser necessário gastar um único cêntimo.

Como já se devem ter apercebido estou a referir-me à sociedade apostadora conjunta composta pelos diferentes partidos políticos candidatos às varias eleições a disputar este ano em Portugal.

100 milhões de euros para distribuir pelos partidos políticos para estes poderem gastar como bem entenderem em campanhas eleitorais para as diversas eleições a que vão concorrer em 2009.
100 milhões de euros só este ano!

Isto fora os montantes que os diferentes partidos conseguirem angariar na pedinchice junto de meia dúzia de alminhas caridosas (ou já interessadas em algo quem sabe).

Só em campanha para as Europeias o PSD vai precisar de 2,2 milhões €, o PS de 1,52 milhões de e o MPT (movimento partido da terra) 1,5 milhões €!

Sim, o MPT, esse grande partido com tradições europeias vai torrar 1,5 milhões.

Provavelmente estão a pensar transformar a Assembleia da República numa quinta biológica.
Terraplanar o Marquês de Pombal e plantar uma horta. Acabar com a circulação de automóveis na Av. da Liberdade e permitir apenas o trânsito a burros, cavalos e carroças. Ou quem sabe fazer nascer um pomar na rotunda do aeroporto e transformar a Expo em zona de pasto. A torre de Belém vai ser o maior celeiro da Europa e os Jerónimos uma estrebaria de luxo.
Ainda há um projecto interessante de transformar o Portugal dos pequenitos em "portugal dos pequenos agricultores", aumentar a quota pesqueira do Oceanário e organizar uma colónia de férias agricolas nos Aliados. O estádio do Algarve vai ser uma feira permanente de cítrinos.
Prevê-se ainda a transformação do CCB em Museu do burro Mirandês.
E para tudo isto é preciso dinheiro entenda-se. "São projectos de grande envergadura e interesse Nacional" diz o candidato do MPP, seja lá ele quem for...

Mas convinha percebermos de que forma o dinheiro dos contribuintes é gasto pelos partidos nas suas campanhas. E dado o valor avultado de que os mesmos passam a despender, e isto numa altura de críse profunda que afunda cada vez mais o País. Sendo que a contenção deveria torna-se indispensável.

Numa análise mais pormenorizada e individual a cada um dos partidos e respectivos candidatos, aqui fica o registo de alguns dos gastos que os mesmos prevêm:

PSD – Manuela Ferreira Leite

Cabeleireiro – Mises – 50.000 Buço e axilas – 25.000€ aproximadamente, depilação meia-perna - 10.000€ e 5000€ de laca Yenca ; 500€ - Cadeira "Chicco" confort para transportar o Marques Mendes em campanha ; 14,50€ - Livro "liderança para Tótós" ; 100€ gilletes Wilkinson Woman; 50€ - Bússola Coronel Tapioca (para orientar o partido); 30.000€ - Jantar-comício, espectáculo de pirotecnia na Póvoa de Lanhoso e actuação do Grupo Foclórico e Etnográfico de Vila Cova à Coelheira

PSD - Paulo Rangel

5000€- Pacotes Maizena; 10.000€ - Belgas de chocolate; 2500€ - Viagem Auchan 8 dias Bruxelas e Amsterdão com visita guiada ao Parlamento Europeu; 25€ -Biografia do Basílio Horta 500€ - Holmes Place (jóia e aulas de step e body pump); 15.000€ compra loja (talho do raúlito) em Setúbal com anexo para sede de campanha; 350€ - Óculos de massa Ralph Lauren com lentes progressivas da Multiópticas; 16€ - livro "Como ser o Basílio Horta para tótós"


PS- Vital Moreira

362€ -Biografia não autorizada completa de Alvaro Cunhal (escrita por esse grande comunista, perdão, democrata, José Pacheco Pereira ) ; 250€ - Aluguer carrinha para transportar biografia de Cunhal ; 450€ - Aulas canoagem (Secção de desporto da Universidade de Coimbra) ; 1500€ -Kayak e respectiva pagaia; Livros :25€ - "Até Amanhã, Camaradas" de MANUEL TIAGO; 14€ - livro "Está calado ó velho e não andes para aí a dizer que se eu não tiver maíoria absoluta me demito para tótós" e ainda " Porta-te bem senão eu chamo os teus amigos comunas para te amaciarem o lombo para tótós" ; 450€ - Bicicleta BMX freestyle, capacete e luvas ; 250€ - Skate e patíns em linha (Decathlon Retail Park Mondego); 15€ - livro "Como ser bem educado na fila de táxi da estação de comboios Coimbra-Sul para tótós".


José Sócrates -PS

210€ - Colecção completa dos filmes "O Padrinho" de Francis Ford Coppola ; 23€ - livro "Como governar sem maioria absoluta para tótós"; 50€ - Meias pretas da lassie ; 150.000€ - T2+1 em Alcochete com vista para o rio (sede de campanha) ; 5000€ - Inscrição Universidade Sénior - Curso de Engenharia de Minas ; 23€ - livro "O Lobo Milagreiro" de Raymond Léopold Bruckberger; 19,50€ filme «O Ilusionista» de Neil Burger ; 1000€ - Donativo paras as Carmelitas Diocesanas e 50 missas encomendadas ao Padre Melícias ; 400€ - Pastilhas Rennie e 100 embalagens de Kompensan; 2000€ - Cachet Luis de Matos para fazer "magia de desaparecimento do Freeport" (a negociar)


Paulo Portas (PP)

10.000€ - Lenços Pierre Cardin (cores variadas) ; 10.000€ - Camisas de seda Cerruti ; 50.000€ - Fatos Ermenegildo Zegna ( os de Primavera estão a perder a cor); 50€ - Cd´s da Madonna e da Barbara Streisand ; 150€ - Colecção completa cinema Bette Midler e ainda filmes variados: 15€ - "Gaiola de malucas" (La Cage aux Folles) e um clássico 5€ - Aniki Bóbó , 18 € - Brookeback Moutain ; livro: 23€ - Biografia de Anne Heche; 2600€ - Bolachas sortidas e chocolates feitos à mão (Fortnum N´Mason - Londres); 600€ - Toping de chocolate de leite e framboesas bravas; 30.000€ - Loja na lapa para sede de campanha com casa de chá e criado vietnamita de tez escura e muito musculado a servir à mesa ; 100.000€ -Viagem de travessia do Atlântico em submarino, com regresso de Nova York em F16 (paragem nos Açores para abastecer e bolinhos de amêndoa com chá de hortelã); 5000€ - Tractor Landini com Ceifeira-debulhadora incorporada para deslocações em campanha; 16€ - livro: " Liderar em calças de sarja para Tótós"


PCP - Jerónimo de Sousa

1000€ - Camisas de flanela "à pescador" vários tamanhos; 100.000€ -T3 no Barreiro junto à unidade fabril do Lavradio; 1500€ - 500 cães de louça de várias raças; 3000€ - 15000 Cravos vermelhos (loja chinesa junto às Finanças em Setúbal); 37€ -livros "Karl Marx para tótós e "Missão Impossível para tótós" ; 15.000€ -Sardinhas, carapaus e fanecas, bacalhau, batatas vermelhas, feijão grelos e nabos (Mercearia do Pedrito) ; 16€ - livro "Engels para tótós"; 1700€ - Lenços Kadaffi para distribuir pelos jovens apoiantes da "luta"; 1000€ - Dois grelhadores industriais Camping Gaz; 4000€ - Tipografia do camarada Júlio ;1000€ - tendas de campismo Queshua; 1000€ - 15 megafones 1000w potência; 19.000€ - jantar -comício em Serpa com actuação do "Grupo Musical Varosa" e aluguer de 3 vagões da CP para transportar material e apoiantes; 10.000€ - Serviço de segurança (os gajos que "encheram" o camarada Vital de mimalhadas); 45€ - rapar o buço da tia piedade (já lhe fica a sopita nos bigodes).

Isto são só alguns exemplos de como os candidatos poderão vir a canalizar os fundos destinados às diferentes campanhas. Pagas por todos nós. O que sobrar fala-se com o Isaltino Morais que é experiente nesta matéria. Compra-se um táxi por aí algures. "Aluga-se" um sobrinho ou usa-se um qualquer já de família que esteja livre (até fica mais em conta) e abre-se uma conta jovem no Montepio ou na Caixa. Depois é esperar que o porco engorde.

E assim se faz uma campanha. O porco está meio cinza mas continua gordo.














Stand Up Manuel Pinho


Manuel Pinho funciona para o governo e para todos nós portugueses um bocado como Roan Atkinson (Mr. Bean) funciona para os britânicos.

Isto não seria preocupante, até seria motivo de regozijo, não fosse ele o nosso Ministro da Economia e Inovação.

Já o vimos elogiar os baixos salários nacionais numa visita oficial à China, ao integrar um seminário em Pequim, a 1 de Fevereiro, perante 300 empresários chineses. O nosso comediante e Ministro da pobre Economia que vamos tendo, disse com orgulho que a mão-de-obra portuguesa é barata, logo uma vantagem competitiva a ser aproveitada.

Foi esta uma das razoes apontada por Manuel Pinho para se investir em Portugal “Somos um país competitivo em termos de custos, nomeadamente, os custos salariais são mais baixos do que a média da União Europeia.”
Por outras palavras Pinho disse aos empresários chineses que deslocassem para Portugal fábricas e empresas a torto e a direito que o povinho aqui recebe pouco e trabalha muito. "

Não é preciso dizer que os que assistiam a este triste espectáculo ficaram de olhos ainda mais em bico, o que na China mesmo nos dias que correm é bastante díficil.
Aqui se começa a ver o brilhantismo de Pinho no que toca a meter água. Pinho está para a gaffe como a água está para o Luso. Só que não há garrafões que encham tanto Pinho ao mesmo tempo.

O primeiro-ministro apressou-se a classificar como "absurdas" e "injustificadas" as críticas da oposição e dos sindicatos ao ministro da Economia Manuel Pinho após este momento de puro Stand up. Socrates disse "É caso para dizer que vai faltando assunto para se discutir em Portugal". Se ele soubesse o que sabe hoje provavelmente teria ficado calado.
Disse ainda que Pinho era uma "grande esperança para o humor português". Desde Vasco Santana que não se via tanta desenvoltura no que toca a dizer disparates e manter a pose de Estado.

Noutra ocasião, e face ao despedimento de 500 trabalhadores da fábrica Delphi, em Maio, o ministro Pinho garantiu, em Bruxelas, que a multinacional tinha criado 250 postos de trabalho em Castelo Branco. Só que esses empregos já se encontravam preenchidos desde 2006. Perceberam? Eu não. Ningúem percebeu. Nem Pinho provavelmente (genial). No comments.

Em bruxelas todos aplaudiram de pé Pinho e perguntaram aos eurodeputados presentes quem era este senhor tão engraçado que vinha a acompanhar a comitiva portuguesa?

Quando souberam que era o Ministro da Economia tiveram que interromper a sessão porque um eurodeputado italiano fez xixi nas calças de tanto rir. E ele convive com Berlusconi de perto.

Ainda hoje se fala de Pinho em Bruxelas (e um pouco por todo o mundo) com uma grande dose de nostalgia. Chovem convites para actuações em bares e coffee shops por toda a Europa. Em quase todos os pubs desde Bruxelas até Amsterdão figuram posters de Pinho nas paredes.

Na Ásia Pinho discute popularidade com Cristiano Ronaldo e Beckham. "Pinho is so funny". "we love him. He´s a character!"

"oh reealy ? I didn´t knew he was a politician". "but he´s an unbelivable and remarkable comediant for sure"

Pinho tem estado um pouco ausente dos grandes palcos, também ele tem sofrido com esta crise, não está fácil para ninguém. Encontra-se a preparar a nova tournee, a gravar um dvd "the best of Pinho" e a escrever a sua biografia que vai ser traduzida em Mandarim para responder aos milhões de pedidos.

Mas ontem Pinho abriu uma excepção a este "sabatismo" e brindou-nos com mais um momento de grande inspiração ao dizer que " Paulo Rangel tem de comer muita Maizena para chegar aos calcanhares de Basílio Horta".

Eu não faço ideia se Manuel Pinho foi alimentado a Maizena, sinceramente custa-me a crer.
Acho que o vulgar Cerelac (normal ou com maçã) ou uma taçada de Nestum seria o mais adequado para um bébé. Mas como se costuma dizer todos os génios são um pouco loucos. Provavelmente também bebia tantum verde com gelo e limão em vez de chá e escovava os dentes com graxa para calçado.

Não se sabe ainda se Rangel vai seguir o conselho de Pinho. Mas se for para ficar como Basílio Horta eu aconselho-o antes a comer flocos integrais com leite e muita fruta. E deixe lá isso da Maizena para quem pode, até porque está um bocado para o anafadito.

Manuel Pinho é já uma figura incontestável e incontornável da comédia portuguesa. Além disto tem ainda a vantagem ser Ministro da Economia e Inovação, o que é mais ou menos como ser ministro da propaganda do III Reich em 1945. Ele tem acesso directo ao governo, pelo que o material para trabalhar as suas actuações é uma fonte inesgotável. Isto aliado ao seu telento natural torna-se numa mistura explosiva e torna-o um comediante de excelência.

Nunca outro governante português tinha conseguido levar tão longe o nosso humor, capacidade e desenvoltura no que toca a fazer os outros ficarem bem dispostos. Por tudo isso só temos de o homenagear e agradecer.

E a continuar assim, digo eu, poderá muito bem vir a ser o próximo Presidente da Comissão Europeia.

A Hiace, o Hipermercado, a avó Tina e o resto


Quase todos os portugueses adoram ir ao Supermercado. É um facto que pode parecer estranho mas é real. Se se tratar de uma grande superficie então o êxtase é ainda maior. O Hiper é o Exlibris da diversão Tuga. O "ripipi" adora a mistura exótica entre parafusos de 10 mm, o último livro de Tiago Rebelo e as farinheiras de porco preto de Campomaior.
Uns porque adoram ver o movimento, reformados que estão de uma vida inteira de labuta como torneiro-mecânicos em Neuchatel, taxistas em Santo António dos Cavaleiros ou condutores de monta-cargas no aeroporto de Nancy (Oui c´est vrai ). Ansiosos por ver algo a mexer. Nem que "algo" seja assistir a meia dúzia de pessoas a escolher fruta da época, barritas de caramelo ou pensos higiénicos sem abas.
Alguns adoram provar todos os queijos, vinhos e enchidos nas respectivas feiras organizadas, até passam na padaria primeiro se preciso for para fazer uma sandocha nas tasquinhas.
Ouvem com a maior atenção as explicações que passam no LCD sobre as panelas de pressão Tefal, muitas vezes juam-se grupos em frente ao ecran

Muitos deliram com as conversas interessantes e desinibidas das meninas das promoções na zona dos iogurtes liquidos. Loucos por um pouco de atenção feminina, acabam por trazer para casa uma quantidade de iogurtes que daria para abastecer todas as alas do Hospital Júlio de Matos durante 6 meses. E um dos "hóspedes" da ala 3, o Rolando, gosta de tomar banho em Sveltesse de morango e frutos silvestres, enquanto atira setas a uma fotografia da Leonor Beleza em biquini.

Outros há que especialmente aos domingos, arrancam dos arredores com a família em peso.
E todos enfiados numa Toyota Hiace de 9 lugares dirigem-se à grande superficie para uma manhã de alegria e muitas novidades. Como quem parte para o Louvre depois de um pequeno almoço nos Champs Elysées ou para o National galery depois de uma manhã a feirar em Portobello Road. Ou aqui mais perto comer um pastel de Belém (quentinho e carregado de canela) antes de ir ver a sala-de-estar que o Berardo enfiou no CCB.
O Hipermercado está para grande parte dos portugueses como o Guggenheim está para os Bascos. Com a diferença que deve ser díficil comprar fiambre da pá fatiado e jardineira de novilho no museu de Bilbao. Pelo que o hipermercado para o português parte em vantagem evidente.
A indumentária deste espécime domingueiro é do mais "casual" possível. Um "Casual paroling" díria eu. Quase sempre tão descontraído como descabido:

Fato de treino impermeável com cores alternativas capazes de provocar descolamentos de retina (tanto macho como fêmea). Se estiver mais calor tira-se a parte de cima e as "cavas" amareladas (do súor) e tímidas escondem a penugem farfalhuda, "Tony Ramos style".
A acompanhar a fatiota sapatilha de futebol de 5 ou sandália de pele à "Jesus Cristo" para ele, e saltos alto agulha de alumínio para ela. Ambos de meia branca, ele com meias com raquetes de tennis cruzadas, ela de collants meia-perna rendados e de lycra. Unhas de gel pretas estragadas nas pontas elas e eles medalha com a imagem de nossa senhora dos navegantes e boné do SLB.
O macho apresenta normalmente cabelo encaracolado estilo "Becel" mas com mais gordura, a lembrar Marco Paulo nos anos 80. Ou a versão mais radical, uma patilha estilo Luke Perry da Cova da Íria.
Ela cabelo oxigenado com raízes pretas de 10 cm, uma autêntica auto-estrada das planícies douradas alentejanas desenhada na cútis.

Os adolescentes normalmente empastam o cabelo em gel acumulado ao longo da semana, várias camadas portanto, parecendo muitas vezes que lhes despejaram uma lata de leite condensado Royal em cima. Camisolas a dizer "de puta madre" da feira de São Mateus e sapatilhas "Puma contra-faction" directamente da mala da Renault Kangoo do César "coveiro" (também vende Rolex, Tous, Gant, lenços de Viana, atoalhados de mesa, geleia de Cerveira e uvas colhão de galo da zona do Fundão).

Já as meninas mais "envergonhadas" envergam mini saia estilo cinto mas um bocadinho mais curta para não estrangular as partes, roupa interior "desaparecida em combate" e top com brilho suficiente para substituir um sinalizador de aproximação aos barcos no porto de Leixões em dias de nevoeiro.

Unhas rosa choque "Rita Lee" com corações pretos e a cara mais pintada que um mimo cego com Parkinson. Por fim bota branca de napa até meio da coxa (estilo cabaret mas a puxar para o ordinário) e o cabelo a imitar a Cindy Lauper depois de ter estado toda a noite a vomitar enfiada na sanita com um problema gastrointestinal.

De nada valerá a pena dizer que o bom gosto não tem marca (mas a ter que seja a original por favor...)

Distinguem-se facilmente na debandada porque saem quase sempre pelo corredor que indica "saída sem compras". Um bocado como as idas da Lili Caneças ou da Cinha Jardim às compras, mas sem levar os artigos para casa está claro. Apesar de que nem uns nem as outras gastam 1 euro que seja.

O objectivo não é comprar mas sim passear e conhecer as novidades. Se houvesse febras e um parque de merendas, ficava-se para a tarde. Se o Mikael Carreira estivesse a dar autográfos junto aos enlatados melhor ainda. Mas sendo assim vamos andando, que a Serra da Boa Viagem ainda fica longe e a feijoada de chocos está na mala da carrinha a arrefecer. Para não falar na avó Tina que ficou no carro e a esta hora já deve estar mais queimada que o cartão de crédito de alguns directores regionais bancários logo no mês de Janeiro.

Conselho a todos: o perfume (ainda que despejado em todos os poros do corpo) dificilmente disfarça o cheiro da sovacada. Muito pelo contrário, adensa-o e intensifica-o.
Torna-se perigoso para as narinas dos desgraçados que passam, muitas vezes chegando a provocar acidentes com prejuízos incalculáveis.
A zona da roupa interior do Feira Nova dizem que é pior que a IP3 em fim de semana prolongado.
Antes apanhar uma suínada valente e ficar de cama uma semana.

E no meio de tudo isto, e para finalizar quanto ao tipo de clientela dos supermercados, há ainda uma pequena minoria de pessoas que vai ao supermercado com o objectivo, imagine-se, de comprar bens e utilidades de que realmente precisam.
Somos poucos, parece-me.
E cada vez mais uma espécie em vias de extinção. Bichos raros.
Preciosos por essa mesma razão. Para manter sff.































Alberto Free

Alberto João Jardim gosta de viajar.
Melhor, o Alberto gosta mesmo muito de viajar.

Até aqui tudo bem.

É sempre agradável descobrir novas culturas em países mais ou menos distantes. Ouvir diferentes linguas e dialectos, novos cheiros e aromas, tendências e gostos.

Esta mistura de realidades díspares ajuda-nos de alguma forma a compreender um bocadinho mais a nossa realidade. Ao regressarmos, vemos muitas vezes as coisas numa perspectiva que só a distância física e alheamento da realidade monótona e diária permitem.

Tudo se torna muitas vezes relativo dependendo da experiência que tivemos, sejam os problemas familiares, dilemas amorosos, o emprego que detestamos porque o patrão é um "sodomita"ou a conta da Tv Cabo por pagar.

Sentimos que não estamos sozinhos , para o bem e para o mal.

Ao calcorrearmos os passeios do mundo disfrutamos de uma sensação de total desprendimento.

Só verdadeiramente a aventura pelo desconhecido nos dá esta liberdade. A liberdade de descoberta não tem preço ( digo eu e diz o Alberto).

Eu falo por mim, adoro sentir esta sensação ao mesmo tempo pura e eufórica de alheamento.
Fico quase tão eufórico como quando ouço um cd do José Cid ou do Marante.

E quando a nossa carteira (ou a de todos nós no caso de Alberto) nos permite viajar para onde queremos, sem um "plafond" limitado a garrotear-nos, aí sim a coisa torna-se interessante.

E Alberto não se faz rogado nem contido quando o assunto é viajar, e ninguém é tido nem achado:
Em plena crise o presidente do Governo Regional da Madeira gastou a "módica" quantia de meio milhão de euros apenas em 2008 em viagens classificadas de "Secretas".

Sim leram bem. Meio milhão de euros.
Repito: 500.000,00 euros
Este montante é mais de 1/4 do orçamento da presidência do executivo. O mesmo não inclui qualquer despesa de Investimento.

Este traveller que por caso também é Presidente do governo Regional da Madeira ausenta-se em média nas suas viagens uma semana, muitas vezes para participar em reuniões de um dia (o resto é para o pagode, my friends! Quem pode, pode.)

Agora alguns números: Em 6 viagens realizadas pelo Tribunal de Contas o Albertito gastou mais de 70.000 euros! Apesar de só em 2 delas ter pago as passagens aéreas, normalmente pagas pelas instituições Europeias.

Londres e Jersey : 8 dias, 23.000 euros, dos quais 13.300 euros só de Hotel. ( já imaginaram esta proposta de viagem numa montra de uma agência ? Não era de rir?)

Alberto João deve concerteza ter alugado um dos coches da rainha para passear.

Depois gostou tanto dos cavalos que o transportaram que decidiu trazê-los para a Madeira.

Ou muito me engano ou vão ser deputados da Assembleia Regional ou presidentes de alguma coisa muito em breve. Até parece que o estou a ouvir dizer " tenho lá alguns comunistas que cheiram bem pior"...

Tudo seria pacífico se estes valores, apesar de exagerados, fossem pagos com o seu dinheiro.

Mas Alberto, esse maroto, tem a irritante mania de usar o dinheiro dos contribuintes para estes 30 dias de lúxurias como lhe chamaria "Edgar Silva" do PCP.

E é um bocado dificil de compreender que no estado em que estamos, alguns que nos governam, ou seja, agentes do Estado, se aproveitem dos cargos que exercem. Despudoradamente e sem embaraço aparente.

O próprio Alberto já veio dizer que " continuará a fazer as viagens que tiver de fazer e nos termos que a lei permite". Ou seja, é "confidencial" ? então toca a torrar tudo nem que seja a comprar Barbies no Corte Inglês de Huelva, ou corta-unhas em Algeciras.
Gastar durante 1 ano apenas e em viagens mais do que um português ganha em toda a sua vida de trabalho dá que pensar. Mas Alberto não pensa nisso, muito ,menos debaixo da sua mantinha e almofadas de peninhas de pato a 30.000 pés de altitude. Enquanto fuma o seu Cohiba e come snacks de caviar Beluga com pepino, tudo desaparece.

O que muitos condenariam eu sou aqui a defender com toda a minha convicção.
Entendo Jardim. E entendo esta permanente fuga para o estrangeiro ou apenas para o próprio Portugal Continental.

Porque ele como eu sabe que " só verdadeiramente a aventura pelo desconhecido nos dá esta liberdade".

E o Alberto sabe ainda, como qualquer outro português ou Fidel saberia, que para ser se ser verdadeiramente livre tem de se sair da Madeira de vez em quando.

Não é verdade?