Paneleirices não, Rosa Parks Sim


Consigo entender a luta pela liberdade sexual.Vivemos num país democrático pelo menos dia sim dia não, numa europa travestida democraticamente, e num mundo cada vez menos obtuso e inflexível em relação à(s) orientações sexuais de cada um. Não me custa aceitar a diferença.

É-me indiferente esta diferença, sinceramente.

Agora não percebo muito bem porque é que esta diferença tem de ser manifestada numa espécie de circo pedestre, um "freak show" humano sob a alcunha de desfile de supostas e sérias intenções. Nas Gay Parade as boas intenções morrem quase sempre à nascença. Normalmente na primeira linha está um senhor vestido de polícia, mas que de agente apenas ostenta o chapéu, as algemas,meias até ao joelho e uma tanga de cabedal...

A bichice, a fufice e a paneleirice são demasiadamente enervantes para serem levadas a sério. São manifestações patéticas, ridículas e que em nada têm a ver com sexualidade, aponto mais estes casos para infâncias reprimidas, processos de crescimento complicados ou simples casos de psicologia complexa ou do foro psiquiátrico.

Não as confundo em tempo algum com a homosexualidade/lesbianismo, porque estas orientações sexuais vejo-as como normais, apesar de residirem do lado de fora dos portões do established. Seja este o established instituido pela Igreja, pela Celina (que é empregada do ex-Reitor da UC e vizinha da minha avó), ou pelo Sr. Manuel do talho de Taveiro (Olhe Dr. eu cá para mim eles é que sabem o cu não é meu..)

Uma marcha pela liberdade sexual e pela igualdade na diferença acaba quase sempre por se tornar numa passerelle de aberrações. Os armários e roupeiros do país abrem-se e de lá saem as "coisinhas" mais inacreditáveis.
Homens que querem à força ser uma mulher, encharcados em hormonas, sem que percebam que nem o "bafo de bode" por muito que no seu coma estivesse adormecido, lhes pegava pela mão e os fazia felizes.
Lábios pintados e perucas, homens vestidos de mulher, mulheres vestidas de homem.Para quê?

Será que não entendem que liberdade e igualdade não são sinónimos de paneleirice?

Não percebem que as boas intenções de meia dúzia se diluem por completo nos devaneios de muitas dúzias de bichas tontas, de fufas de camisa ou tshirt para dentro das calças, suspensórios e óculos Ray ban aviator.

Enfim, uma parafernália de imagens deprimentes que desacreditam qualquer movimento honesto de integração, aceitação e manifestação de igualdade.
Com tanta vontade e tão pouco saber mostrar a igualdade na diferença conseguem vincar ainda mais esta diferença na mente de quem à priori já julga por mentalidade ou educação, tornando o fosso maior e quase intransponível.

E quem já aceita não precisa destas manifesações de paneleirice...
É normal ser-se homosexual ou lésbica.
Não vejo que este tipo de "eventos" ajude quem não está disposto a aceitar este facto simples da escolha sexual de cada um, não prevejo que torne estas pessoas mais sensibilizadas no que toca a este "expediente".
E não ajuda certamente quem "desfila". Só se for a arranjar uns números de telefone.
Não me parece ser plausível que o facto de ter dezenas de homens entupidos de hormonas, pintados de cima a baixo, de cabeleira, saltos-altos e mini-saia, a simularem obscenidades com a lingua de fora para as cameras, a apalparem tudo o que mexa do sexo masculino, ajude alguém a ficar mais permeável, atento ou tolerante a qualquer causa, muito menos esta.
A normalidade tem de ser aparentemente normal, não se deve mascarar ou travestir.
Nem tão pouco é conquistada em paradas revestidas de fantochada e caricatura.
O efeito na mente de alguns será de repúdio, de nojo, e inevitavelmente a associação deturpada e estigmatizante entre homosexualidade e "anormalidade" permanecerá para estes, menos tolerantes.
E o mais estranho nisto tudo, é que quem não aprecia este espectáculo (como é o meu caso) é comummente apelidado de homofóbico, primitivo, escravo do conservadorismo ou "fascista" com já ouvi, imagine-se.

Meus senhores e senhoras: Rosa Parks, sabem quem foi?
Com um simples gesto dentro de um autocarro na América dos anos 50 (recusou-se a dar o seu lugar a um homem branco) ajudou a mudar uma sociedade e o seu pensamento. Quebrou uma regra instituida pela ignorância sem precisar de chocar pela obscenidade e folclore.
Tanto que o Presidente dos EUA é hoje em dia um afro-americano.




4 comentários:

Anónimo disse...

Bom post ass. @inesturika

Bifinha disse...

Concordo com o escrito e tantas vezes o disse e o escrevi e sou sempre "achincalhada" por membros da comunidade gay.

Isto que se lê neste blog é tudo menos pateta.

Nota: sou uma mulher que ama outra mulher (só para que se note :) )

Anónimo disse...

Consegui ler!
Mas fiquei lixadinho da cabeça! xP

Concordo com quem disse: "este post é tudo menos pateta", mas, ao contrario do(a) mesmo(a), não sou gay, sendo até um pouco homofóbico. :D

Parabens, ass. @AFScomics

Miguel disse...

Meu caro, a orientação sexual não se escolhe... ou tu por acaso escolheste a tua orientação sexual? Ah mais uma coisinha... a quantidade de homens hetero que aproveitam o carnaval para se vestirem de mulher já não te choca? Ah já sei... é burlesco... não é paneleirice, ou outra coisa qualquer reprimida. Tentas passar uma imagem muito open-minded no que escreves, mas no fundo, no fundo, és homofóbico e não aceitas a diferença. Já agora fazia-te bem passar um corrector ortográfico no que escreves.